Toda luz que não podemos ver, Anthony Doerr

Resenhas

Título original: All the light we cannot seetoda luz que não podemos ver
Autor:
 Anthony Doerr
Publicação: 2014 (EUA), 2015 (BRA)
Editora: Intrínseca
Páginas: 528
Gênero: ficção
Avaliação: 5 de 5 estrelas
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Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial. Uma história arrebatadora contada de forma fascinante.

A primeira vez que ouvi falar de Toda luz que não podemos ver foi quando anunciaram os vencedores do Pulitzer de 2015. Me interessei por isso, já que tinha gostado tanto de O Pintassilgo, o ganhador do ano anterior.
Toda luz que não podemos ver é um livro narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista de diferentes personagens, mas focando principalmente em Werner e Marie-Laure. Dois universos completamente diferentes, porém igualmente difíceis e, ao mesmo tempo, delicados e inocentes.

“Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre.”

Marie-Laure é uma garota muito inteligente, curiosa e forte, que nunca permitiu que sua perda de visão afetasse sua vida de qualquer forma que fosse, muito menos negativamente. Werner é um menino doce, justo e fascinado pela ciência, que apesar de saber o qual o futuro lhe espera, jamais deixou de sonhar e desejar algo melhor para si e sua irmã. Duas crianças, dois jovens, que são obrigados a amadurecer antes do tempo e passar por situações e conflitos, tanto físicos como morais, como se fossem adultos.
Dois personagens maravilhosos, mas a lista não se resume a eles. Doerr criou personagens cativantes e odiosos, mas, acima de tudo, reais.

“Rádio: ele une milhões de ouvidos a uma única boca. Pelos altos-falantes espalhados por toda a Zollverein, a voz sincopada do Reich cresce como uma árvore impassível; seus súditos se inclinam em direção aos seus galhos como se fosse em direção aos lábios de Deus.”

Confesso que quando comecei a leitura fiquei um tanto receosa. Ele começa de uma forma um tanto poética e fica um pouco difícil de entender o que está acontecendo, mas é só no início mesmo. Depois das primeiras páginas, a narrativa “tradicional” começa e a leitura se desenvolve muito fácil e rapidamente. O fato de os capítulos serem curtos ajuda muito.
A linguagem de Anthony Doerr é simples, mas rica em detalhes e emoções. Impossível não se transportar para o livro e viver cada momento intensamente com os personagens. Se já não bastasse o contexto histórico tenso em que se passa, a história em si é cheia de reviravoltas e cliff hangers, que te impossibilitam largar o livro.

“… quanta pretensão têm os seres humanos! Por que alguém vai se dar ao luxo de compor uma música se o silêncio e o vento são tão mais amplos? Por que alguém vai acender as luzes se as trevas vão inevitavelmente apagá-las?”

Toda luz que não podemos ver é um livro incrível e deveria fazer parte da lista de leitura de todos. Me falta palavras para falar sobre ele e expressar tudo o que senti durante a leitura. Foi intenso e emocionante, senão em todos, em muitos momentos. Inclusive, acho que seria um ótimo filme, se tivesse uma boa equipe para produzi-lo, claro.
Leitura mais do que recomendada se você procura algo mais profundo e que te atraia.

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  • Nádia Tamanaha

    Que livro lindo! Talvez o melhor que li em 2015 <3
    Acho incrível como Anthony Doerr criou uma história super sensorial e, acima de tudo, visual, apesar da deficiência de Marie. Também acho que seria um filme maravilhoso, se o trabalho fosse bem feito!
    Beijos

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