Toc-toc, é você?

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TOC – transtorno obsessivo compulsivo, segundo a Wikipedia é definido como “um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos, no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos pela sociedade ou por si próprio; normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene, organização, simetria, perfeição ou manias e “rituais” que são incontroláveis ou dificilmente controláveis“.

Olá. Me chamo Karina, tenho 28 anos e tenho TOC. Convivo com ele há 13 anos, talvez até mais, mas foi aí que eu me dei conta de que tinha um problema. Nos primórdios da internet e popularização do Yahoo Groups, eu descobri que ele tinha um nome e outras pessoas passavam pela mesma coisa. Me senti melhor, mas nem tanto ao ler que quase ninguém estava obtendo sucesso nos tratamentos.
Não estou aqui para explicar o que é, como funciona ou indicar soluções, okay? Nem vou falar qual o meu TOC (que aqui também será chamado de Toquinho), porque a intenção do post não é discutir sobre ele  e suas causas especificamente, mas sim contar como é o nosso convívio e nossa relação, que é um caso sério.

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Como eu contei em outro post, eu tenho ansiedade (aqui, se você não leu) e ela se manifesta muito além do meu psicológico. Suas manifestações são físicas em diferentes proporções, dependendo do nível da crise, mas o meu toc não está necessariamente ligado a ela. Ele está sempre comigo. Ponto. A ansiedade pode sim piorar a situação, mas mesmo se estou em plena paz, Toquinho está lá.

Quando começamos nossa relação, eu tinha uma vaga noção das consequências que ela poderia acarretar, afinal eu era uma adolescente de 15 anos. Os adultos ao meu redor mandavam eu parar de fazer aquilo comigo mesma e ficavam bravos, como se eu fizesse aquilo porque queria e parar dependesse apenas da minha vontade. Até dinheiro me ofereceram se eu parasse, mas na sugestão de procurar um especialista: Que absurdo! Imagina! É só uma fase. Frescura de adolescente rebelde querendo chamar a atenção. Aham. Senta lá, Cláudia.

Porém, uns 5 anos depois, eu 1. já tinha consciência que precisava esconder o toc o máximo possível dos seres ao meu redor e 2. comecei a sentir o impacto e ele se refletia na minha autoestima, ou na falta dela, no caso. O meu Toquinho não é muito conhecido pelas pessoas por aí, mas se fosse, naquela época, todo mundo seria capaz de dizer que eu o tinha. Eu vivia ouvindo perguntas e respondendo mentiras, porque eu tinha vergonha e medo de assumir a verdade. Tenho, melhor dizendo. As pessoas não entendem.
Dependendo da situação social em que me encontro, consigo ter total controle sobre o Toquinho, mas em outras eu nem me importo mais. No trabalho, por exemplo, deixo ele assumir o controle livremente e dane-se. Nunca ninguém me fez perguntas sobre minha mania esquisita. Quando tento controlar é por mim, pela minha saúde mental, porque eu quero ficar boa. Mas se estou em um ambiente com pessoas que conheço há pouco tempo, ou muita gente, a vergonha é maior e Toquinho costuma se aquietar sozinho, sem esforço; a não ser que seja uma situação que me deixe muito ansiosa, aí eu preciso travar uma batalha grandiosa com ele. Nem sempre eu ganho.

Viver com TOC é isso, pelo menos para mim: uma batalha diária entre sua compulsão e a sua vontade de ter controle sobre você mesmo. Tem dias melhores, tem dias piores. Muito piores. Às vezes eu perco a esperança de que me curarei um dia e esses momentos são tristes, porque eu me sinto uma fracassada, uma idiota incapaz de ter controle sobre um único gesto seu. Porém, outros dias acordo com uma esperança e força de vontade maiores que tudo e eu sei que eu posso conquistar o mundo, ou pelo menos minha compulsão. E eu vou.

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