Sociedade caga-regra

Anything

O post de hoje é baseado em fatos reais e convenções sociais.

Quando você está solteira: “E a namoradinho?”
Quando você tem 25+ e continua solteira: “Precisa desencalhar ou vai ficar pra titia!”
Quando você tem 25+ e está namorando: “E o noivado?”
Quando você está noiva: “E o casório, quando vai ser?”
Casada: “E o bebê, vai chegar quando?”
Casada com um filho: “Já está planejando o segundo?”

A verdade universal é a seguinte: o mundo seria um lugar melhor se cada um cuidasse da sua vida, mas isso não acontece, existem as tais convenções sociais e é assim que caímos em discussões como essa.
Vivemos em uma sociedade que espera coisas de você. Se for homem irão esperar certas coisas, se for mulher, outras, mas sempre cobrarão algo. E coitado de você se pensar em não seguir o caminho que já lhe foi pré-designado.

Eu, por exemplo, sou constantemente crucificada. Aos 27 anos sou adepta do “antes só do que mal acompanhada”, não tenho planos de casar, muito menos ter filhos, nem agora, nem nunca. Fiz faculdade tarde, estou focada na minha carreira e sem a menor disposição de perder tempo com quem não me acrescenta em nada.
Porém, em reuniões familiares ou com amigos próximos, ao invés de ser motivo de orgulho por ser uma mulher independente e bem resolvida com suas decisões, sou vítima de olhares de pena e vergonha: “Coitadinha… Não tem namorado”.
Se eu decido exteriorizar os meus não-desejos de casar e ter filhos, só faltam me deserdar. Mas não sem tentar me provar o quão errada estou, que só digo isso porque não encontrei alguém ainda, que eu vou mudar e blablablá. Por que é tão difícil aceitar o que o outro escolheu para sua vida? Só porque é diferente do que a sociedade espera?
O mais “engraçado” é que a conversa com meu irmão é diferente. Enquanto desejam que eu procrie a qualquer custo, para ele o conselho é “vê se não vai arrumar filho por aí”. Ele tem 21 anos, mas isso não justifica, apenas reforça a visão machista da nossa sociedade.

A impressão que tenho é que a questão de ter filhos é a que mais incomoda. Na última semana eu fui em um chá de fraldas e teve o dia das mães. Eu trabalho com mulheres que são mães e quando as pessoas cumprimentavam-nas, viravam para mim e comentavam: “Você não é mãe, né? AINDA!” Como se não existisse outra escolha lógica para mim a não ser ter filhos.
Há um tempo uma amiga desabafou no Facebook: Por que sempre que as pessoas vêem um homem comprometido brincando com uma criança tem que soltar o famoso “já está treinando para quando vier os seus”? Sério. Mais uma grande babaquice vomitada pela nossa querida sociedade. Ele não pode estar brincando com elas pelo simples fato de gostar de brincar com as crianças? Isso não significa que eles estão planejando ter um filho.

Também ouvi uma história nesse final de semana que mostra bem como fazer escolhas pelas convenções sociais não é a melhor opção.

Situação: Um casal juntos há 10 anos, com um filho, decidem oficializar a união em um casamento lindíssimo. O casal se separa algumas horas depois, durante a festa. Nenhum dos dois estava sendo fiel ao relacionamento.
Pergunta: Por que então resolveram casar?
Resposta: Convenção social. Afinal, já estavam juntos há tanto tempo, tem um filho envolvido, era o que as famílias esperavam, a escolha óbvia: um casamento.

Eu poderia continuar aqui falando sobre outros padrões impostos, como o que é considerado família etc. Mas o post ficaria maior do que já está. Guardemos o assunto para uma outra publicação.

Dizem que vivemos em uma sociedade livre, mas para mim, ser livre significa poder fazer minhas escolhas independentes das convenções e não ser julgada por isso. A prioridade na nossa vida deveria ser “ser feliz“, independente do que os outros vão achar ou falar da gente.

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