Apenas parem!

Anything, Redes Sociais

Eu não sou grande fã de televisão. Sem querer ser pseudointelectual, mas simplesmente não tenho muita paciência.
Porém, eu adoro os talk-shows americanos. Jimmy Fallon e Jimmy Kimmel são meus favoritos com todos os seus quadros e jogos com as celebridades. Mas até isso eu assisto pela internet, não pela TV.
De qualquer forma, um dos quadros que mais gosto é o “Mean Tweets“, quando os famosos leem alguns tuítes falando mal deles. É divertido, principalmente quando eles fazem comentários irônicos no meio. A edição do presidente Obama é impagável e vale ser vista. Inclusive foi quando eu comentei sobre isso que um amigo perguntou se eu tinha visto a campanha sobre cyberbullying feita no Canadá, baseada no “Mean Tweets“. Não, eu não tinha visto, mas fui procurar.
O post é do site B9 e pode ser acessado aqui. A ideia é genial e os tuítes são realmente cruéis. O último, em particular, me chocou muito.

A campanha me lembrou um outro caso encontrado na internet na terça-feira passada, envolvendo um humorista famoso, uma pessoa anônima e o twitter. Eu li a respeito no Buzzfeed, mas vou resumir o ocorrido: essa pessoa tuitou que estava deixando de seguir o humorista porque ele postava muita baboseira; o humorista retuitou a mensagem da menina com ofensas e piadinhas por ela ser gorda e incentivou seus seguidores a fazerem o mesmo.

Eu tenho fé na humanidade e espero que eu não seja a única a enxergar o problema aqui.

Algumas pessoas vivem felizes e bem consigo mesmas e não importa o que os outros digam, nada as afetam e isso é maravilhoso. Porém, outras têm grandes problemas de aceitação e tudo o que precisam é de um “incentivo” negativo para causar danos a si mesmas.

O caso do humorista me causou grande indignação, não apenas, mas principalmente por ele ser uma figura pública. Quando me indigno, compartilho. E qual não foi minha surpresa quando um colega de trabalho riu. Ele achou engraçado e não viu nada demais já que o trabalho do cara é fazer piada. Seriously?! ¬¬ Fazer piada é uma coisa, humilhar publicamente alguém, é outra.
Claro que existem pessoas que levariam tudo numa boa. Afinal, o que interessa o que um famoso e mais centenas ou milhares de seguidores dele dizem sobre ela? E daí se os amigos, colegas e familiares lerem e ficarem comentando? Dane-se. Mas minha gente, nós sabemos que não é assim para todo mundo e isso é “incentivo” mais do que suficiente para alguns.
Eu questionei o meu colega sobre como ele se sentiria se o caso tivesse acontecido com o filho dele. O sorriso sumiu do seu rosto. Não preciso dizer mais nada.
O bullying pode parecer muito engraçado quando visto de longe, afinal não está te atingindo, nem ninguém próximo a você. Mas se o quadro muda… Aí o negócio fica sério e perde toda graça, não é?
Voltando à campanha do Canadá, o último tuíte lido dizia “No one likes you. Do everyone a favour. Just kill yourself.” (Ninguém gosta de você. Faça um favor a todos. Apenas se mate). Como alguém pode pensar que escrever algo assim é okay? Essa frase pode causar um impacto imediato e irreversível na vida de uma pessoa, ou as consequências serão carregadas pelo resto da vida dela. Depressão não é frescura. É uma doença real e não escolhe classe social, idade, gênero ou raça. A sociedade precisa deixar de ser ignorante.

Quando decidi escrever a respeito, fui fazer uma pesquisa e descobri que o termo Cyberbullying só deve ser utilizado quando falamos de ofensas e ameaças feitas na internet por adolescentes para adolescentes, em alguns sites eles limitam a 18 anos, em outros é 21. Quando o problema ocorre com adultos, os termos são Assédio ou Perseguição virtual (Cyberharassment ou Cyberstalking, em inglês).

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  • Minha reação foi exatamente essa ao ver o post sobre o “engraçadão” fazendo com que as pessoas humilhassem a seguidora. O pior são as justificativas para tentar amenizar o fato…
    A galera confunde liberdade de expressão com liberdade de humilhação…
    Mas eu ainda tenho fé na humanidade que um dia todos irão acordar e darão conta de seus “achados”…

    =]

    • Exatamente isso, Rafa… Tudo é justificado pela liberdade de expressão. Oremos por essa humanidade!

  • Já conversamos a respeito, mas reitero minha opinião aqui: acredito que pensar coisas ruins sobre as pessoas é incontrolável, mas é nossa escolha verbalizar estes pensamentos ou não. E antes de fazê-lo, temos que pensar o que sentiríamos caso alguém fizesse o mesmo conosco e não sobre como esta pessoa se sentiria ao ouvir o que temos a dizer – porque nunca vamos saber, já que cada um é cada um. E eu acho que é isso que falta pro ser humano hoje em dia… pensar no próximo com o mesmo respeito que pensa sobre si mesmo.

  • O bullying em si é um assunto muito polêmico, porque até onde uma “brincadeira” é aceitável e até onde ela passa dos limites. Sempre brinco que isso devia existir na minha época de escola, porque fui zoada em vários aspectos, mas porque todos eram e era uma coisa “normal”, só que algumas coisas realmente me magoavam e se eu falasse para alguém, ia ser frescura minha.

    Sobre o Gentili eu, como fã dele, infelizmente achei uma daquelas situações que era melhor ter ficado quieto. Como a Ná disse, pensar coisas ruins sobre as pessoas é incontrolável, mas ter bom senso é fundamental.

    Eu disse que o bullying é polêmico porque também até que ponto estamos nos tornando pessoas chatas? Não sei se dá pra entender o meu ponto. Mas hoje, as vezes mesmo de brincadeira e sem sentido ofensivo, as pessoas acabam levanto tudo a ferro e fogo e tudo virou bullying ou preconceito. É claro que os exemplos que você citou são inaceitáveis, mas entende o que eu quero dizer?

    Enfim, valeu a reflexão e o seu ponto de vista =D Poste mais!

    Beijo Ká

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