Belém, belém, nunca mais estou de bem!

Anything

Uma reflexão sobre amizade e como os grupos do Whatsapp podem mudar essa dinâmica.

Amiga 2

Ah, a amizade… Aquela coisa para se guardar a sete chaves, do lado esquerdo do peito. Aquilo que te faz feliz, mesmo quando está numa pior. Sem ela você não sabe o que seria de você, da sua vida. Ela dá sentido as coisas. Um sentimento inexplicável, que une duas ou mais pessoas que não tem nada a ver umas com as outras, a não ser por aquele pequeno detalhe que prevaleceu acima de qualquer diferença.
Ela nos torna cúmplices, confidentes, amigos. Ela é linda

… Até que não é mais.
Não amigávelPorque tudo na vida passa, inclusive vi passar você. Não é mesmo?
Para se ter uma amizade, precisamos de, pelo menos, dois indivíduos, afinal não dá pra ser amigo sozinho. Mas por mais que a amizade seja duradoura, um dia ela acaba, seja por uma briga, ou até mesmo pela morte. O ponto é que existe um fim.

Desde os primórdios
Vamos voltar aos tempos de pré-escola e primário, onde tudo parecia mais fácil quando paramos para pensar hoje em dia com nossa idade avançada. Mas naquela época era um grande pesadelo. O bullying existia, mas na ocasião era chamado de “são crianças sendo crianças“, então se você tinha um amigo, ou mais (olá, sr. Popular!), você se agarrava a ele(s) como se sua sobrevivência dependesse disso.
Ele te emprestava o lápis de cor vermelho, você dava um pouco da sua massinha branca, vocês sentavam juntos no recreio e na hora de brincar de escravos de Jó. Até que… Ele não podia te emprestar o lápis porque emprestou para outro primeiro, vocês não se sentaram juntos no recreio e ele dividiu o lanche com aquele outro coleguinha (como chamam ele mesmo? Cabelo de salsicha?!) e quando ele veio pedir um pouco de massinha?! Ops. Usei tudo.
Nesse momento você sabia que tinha chegado a hora mais temida e você tinha que ser o primeiro a fazer, ser o que comete o abandono, não o abandonado: belém, belém, nunca mais estou de bem, nem no ano que vem (mostra a língua).
Uma amizade foi destruída e um anjinho perdeu suas asas no céu.

Os anos vão se passando e você acha que a idade e o amadurecimento irão transformar as pessoas, e situações como aquela não mais farão parte de sua vida. Hmmm… Sabe de nada, inocente! A coisa fica pior ainda. Porque antes o rompimento da amizade era óbvio: “Você não me emprestou seu lápis, seu bobo. Belém, belém…” Era fácil de identificar o motivo e momento em que a amizade acabou.
Porém, quanto mais velhos os indivíduos ficam, menos eles se comunicam e mais eles agem por impulso e vingança muitas vezes descabida.

Amizade na era tecnológica
Lá atrás, em 2006, eu escrevi um texto sobre os sites de (des)relacionamentos: Tenho mais comunidade que amigos, acho que era esse o título. Na época, o Orkut estava bombando e ainda não usávamos o termo “rede social“, era site de relacionamento. Enfim, eu divaguei sobre como uma ferramenta feita com o intuito de aproximar as pessoas estava, na verdade, nos afastando. Ninguém mais usava o telefone para se falar, apenas mandavam recados como “Estou com saudades! Vamos marcar de nos ver.” Se isso nunca funcionou quando era falado pessoalmente, imagine pela internet.

E então temos o Whatsapp e, dentro do meio de comunicação mais utilizado atualmente (até a sua avó deve usar!), temos os grupos. Grupo da família, do colégio, da festa X, da festa Y, dos amigos em comum, de pessoas com afinidade tal, etecetera, etecetera, etecetera.
Às vezes você foi jogado nesse grupo sem te consultarem antes e sempre fica aquela coisa de pegar mal se sair. Se for grupo familiar, então! Ninguém quer causar desavenças. Mas não esqueça, amiguinho: você não é obrigado a nada.
Não está satisfeito, não quer mais fazer parte do grupo? Saia. De coração. Não precisa esperar o primeiro barraco pra deixar de seguir os “BFFs” no Instagram, excluir do Facebook e bloquear no Whatsapp. Pra que chegar a esse ponto, não é? Fica feio. Seria mais digno mandar um “belém, belém”! Isso só faz com que aqueles que te consideravam amigos imaginem há quanto tempo você já queria se livrar deles. Há quanto tempo eles deixaram de te servir como “amigos”.
Convivência, mesmo que através do Whatsapp, desgasta relações. Ainda mais porque virtualmente somos menos inibidos e falamos o que dá na telha sem pensar de que forma essas palavras vão impactar no outro. Por isso o diálogo é sempre importante, mas a manutenção das amizades também.

Existe vida além do Whatsapp e temos que vivê-la, seja com um, dois, ou todos seus amigos. Vamos sair do celular e olhar para os amigos face to face, conversar, rir, chorar, gargalhar, se abraçar… Amizade é isso, essa coisa linda. Até que não é mais, mas não precisa chegar nesse ponto.

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