O Pintassilgo, Donna Tartt

Resenhas

Título original: The GoldfinchO-Pintassilgo
Autor: Donna Tartt
Publicação: 2014 (BRA); 2013 (EUA)
Editora: Cia das Letras
Páginas: 728
Gênero: ficção, literatura estrangeira, vencedor do Pulitzer
Avaliação: 4,5 de 5

Sinopse: Quando Theo Decker, nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe, o pai o abandona e a família de um amigo rico o adota. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com os quais não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma lembrança poderosa de seu último momento ao lado dela: uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte.
Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração.
O pintassilgo é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

No ano passado decidi que queria mudar um pouco os livros que lia. Experimentar novos, gêneros, autores, enredos… Amadurecer um pouco o meu acervo literário. Uma das minhas primeiras escolhas para esse “projeto” foi O Pintassilgo. Logo o coloquei na minha wishlist de aniversário (19/11!) e eu ganhei!
Prometi que seria a minha primeira leitura de 2015 e assim foi. Mais ou menos. Eu comecei a lê-lo em janeiro, porém no meio do caminho tirei férias, fui viajar, não carreguei o livro comigo por motivos de ser volumoso e pesado. Quando retornei, tinha perdido o ritmo e resolvi me dedicar a outros livros, até que a vontade de terminá-lo venceu em abril.

“[…] Toda vez que vir moscas ou insetos numa natureza-morta – uma pétala murcha, um ponto preto na maçã -, é uma mensagem secreta que o pintor está te passando. Ele está te dizendo que as coisas vivas não duram – tudo é temporário. A morte na vida.”

O Pintassilgo é um livro diferente de tudo que já li anteriormente. Ele se inicia com nosso protagonista, Theo Decker, adulto e em uma situação um tanto suspeita em Amsterdam, mas logo voltamos alguns (ou muitos) anos atrás e vamos conhecer a história de Theo desde o começo. E durante todo o trajeto sua mente fica questionando: “Como e em que momento ele foi parar em Amsterdam?” Esse é apenas o primeiro mistério que vai mover sua leitura.
A escrita de Donna Tartt é riquíssima em detalhes, mas não é de maneira alguma chata. Ela te envolve, consome e hipnotiza. O livro é dividido em cinco partes, cada parte é dividida em capítulos, que possuem subcapítulos. A história é longa e densa, mas a autora fez um trabalho excelente para não deixá-la monótona. Como eu disse, o mistério de Amsterdam é apenas o primeiro, pois no decorrer da leitura, novos fatos e questionamentos vão surgindo e sendo respondidos, surpreendendo cada vez mais os leitores.

“[…]enquanto balançava sonolento no ônibus de volta, derretendo de tristeza e encanto, uma dor estrelada que me erguia como uma pipa acima da cidade e da ventania: minha cabeça nas nuvens de chuva, meu coração no céu.”

Uma das coisas que mais me encantou em O Pintassilgo, foi o uso que Donna Tartt faz das palavras, como na citação acima. A cada página lida, eu pensava: “Quando eu crescer, quero saber usar e combinar as palavras desse jeito!” Que mulher incrível! Sem contar os conhecimentos sobre arte e antiguidades embutidos na história. Sensacional!
Apesar do livro cobrir uma longa faixa de anos, os personagens que realmente importam são sempre os mesmos, aparecendo um ou outro no meio do caminho. Theo Decker é um ser irritante e inúmeras vezes, durante a leitura, eu quis entrar no livro e socar a cara dele, dar uns gritos, um chacoalhão, qualquer coisa para ele acordar e perceber o quão burro ele estava sendo. Sobre os demais, prefiro não comentar para não dar spoilers, já que eles vão aparecendo em diferentes fases.

“Não podemos escolher o que queremos e o que não queremos, e essa é a dura e solitária verdade. Às vezes queremos o que queremos mesmo sabendo que isso vai nos matar. Não podemos escapar de quem somos.”

Sinceramente, não recomendo O Pintassilgo para todos. O leitor precisa sentir que está preparado para uma leitura densa como essa, ou vai acabar desistindo no meio do caminho. Mas eu, apesar de quase toda a minha vida ter lido fantasia, chicklit e YA, gostei muito e me surpreendi. Só dei nota 4,5 porque achei as últimas 15 páginas um pouco cansativas.

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  • Concordo com tudo, para variar.
    Mas dei 5 estrelas porque acabei não achando as últimas páginas tão cansativas quanto você achou 🙂
    Beijos

  • Estou doido para ler este livro…só leio críticas boas…

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