Paris é uma festa, Ernest Hemingway

Resenhas

Título original: A moveable feast           Autor: Ernest Hemingway
Publicação: 2013 (essa edição)               Editora: Bertrand Brasil
Gênero: não-ficção, memórias                Avaliação: 4 de 5 estrelas
Páginas: 252                                                 Onde comprar? Saraiva | Cultura | Submarino | Fnac

O livro revela um Hemingway diferente. Em Paris, aos 22 anos, ele lê, pela primeira vez, clássicos como Tolstói, Dostoievski e Stendhal. Convive com Gertrude Stein, James Joyce, Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald, figuras polêmicas e encantadoras para o jovem autor.

A cidade e esses ‘companheiros de viagem’ deram-lhe nova dimensão do humano e maior sensibilidade para alcançar os seus dois objetivos primordiais na vida: ser um bom escritor e viver em absoluta fidelidade consigo próprio. Há, em Paris é uma festa, momentos de suave melancolia, alternados com outros de cortante, quase selvagem crueldade.

O livro começou a ser escrito no outono de 1957, em Cuba, e foi finalizado na primavera de 1960. Após ter escrito Paris é uma festa, Hemingway recapturou, durante algum tempo, a felicidade perdida, o gosto da juventude, vividos naquela época.

Depois disso colocou, então, na boca os dois canos da shotgun, sua carabina de caça predileta, e atirou, acabando assim com sua vida.

Paris é uma festa

Quando Paris é uma festa ganhou a votação do livro do mês no clube de leitura do qual participo, confesso que me bateu um desânimo. Ernest Hemingway, na minha concepção, era um autor antigo e isso queria dizer que um livro dele seria um clássico, que para mim é a mesma coisa que dizer chato. Tanto que esperei até a última semana para compra-lo e começar a ler.

E qual não foi a minha surpresa quando eu senti que estava realmente curtindo a leitura. De verdade.

Paris é uma festa é um livro de memórias, onde Hemingway conta algumas histórias sobre o tempo em que viveu em Paris entre 1920 e 26. Como o livro foi escrito mais de 30 anos depois dos verdadeiros acontecimentos, e na época Hemingway já não andava muito bem de saúde, não podemos confiar muito na exatidão dos fatos. Inclusive, após a leitura, fiquei sabendo que existem duas edições desse livro: uma que eu li, editada pela 4ª esposa com muitas informações/detalhes excluídos e distorcidos; e uma outra que foi editada pelo neto e é mais fiel aos verdadeiros manuscritos de Ernest.

Mesmo tendo lido a versão alterada, achei divertidíssimo ver como muitos intelectuais se reuniam em Paris e socializavam. As brigas de ego, relacionamentos conturbados, processos de criação, inimizades, álcool em excesso etc. F. Scott e Zelda Fitzgerald eram loucos, Gertrude Stein parecia ser bem orgulhosa, preconceituosa e ambiciosa e Silvia Beach era amiga de todos os escritores que se refugiavam por ali.

Uma das coisas que chamou muito a minha atenção é o fato de Hemingway fazer questão de frisar o quão pobre eles eram naquela época. Afinal, ele largou o emprego como jornalista para viver apenas como escritor e as coisas não íam muito bem no começo da carreira. Mas com toda essa pobreza narrada, ele e a esposa se esbanjavam em vinhos, passavam os invernos esquiando na Áustria ou Suiça, e os lindos verões da Espanha. Nesse ponto me sinto obrigada a citar Luisa Marilac: “Se isso é estar na pior, o que quer dizer estar bem, né?”

Enquanto eu lia, não parava de pensar: “Nossa. É muito Meia-noite em Paris esse livro. Que legal!” Só depois que fui pesquisar e descobri que não era coincidência. Se você assistiu e gostou do filme de Woody Allen, provavelmente vai gostar do livro, pois ele foi usado como referência pelo diretor. Inclusive é citado duas vezes e aparece uma.

Paris é uma festa não serve como referência para a literatura de Ernest Hemingway, afinal são memórias escritas quase no final de sua vida, um estilo diferente. Também não espere conhecer Paris através dele, muita gente se decepciona esperando por isso, mas divirta-se enquanto conhece um pouco mais sobre esses artistas, que são considerados gênios por muitas pessoas. Vale a pena a leitura.

Ah, e ele também pode despertar a vontade de ler alguns títulos citados por ali.

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  • Ana Ella

    Menina! Antes de você falar do filme já tinha pensado nele…filme engraçado. Adoreeeei o novo blog, tem várias posta já! Bjo

    • Oi, Ana!!

      Se vc gostou do filme, como eu, talvez vc goste do livro tbm! =)
      Obrigada… Fico feliz que tenha gostado! Volte mais vezes e deixe um recadinho!! =*

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