Ansiedade que não cabe em mim

Anything

Hoje eu estou triste, bem triste. Tive um pequeno desentendimento com uma pessoa querida; algo totalmente desnecessário. Chorei. Minha cabeça dói e isso é raro, só acontece em casos de extremo abalo emocional.

O pior é que a causa disso tudo nem foi a discussão em si. Ela apenas me deixou triste. Mas o choro e a dor de cabeça foram consequências de uma crise de ansiedade. Por quê?

Porque a minha mente já fez o favor de criar todo um cenário de destruição na minha cabeça. Foi imaginar toda essa situação que me fez chorar, e não foi pouco. Tive que me trancar no banheiro durante o expediente. Agora estou com dor de cabeça. Louco isso, né?

woman-1006100_1920

Como é possível eu me abalar tanto com algo que nunca aconteceu de verdade, e provavelmente jamais acontecerá, apenas na minha cabeça? É como se eu criasse expectativas, mas ao contrário.

Geralmente nós criamos expectativas esperando que coisas boas, que queremos muito, aconteçam. Porém, na minha cabeça, eu já crio o pior cenário possível, acredito piamente que esse será o meu destino e sofro. Sofro como se aquela fosse a minha realidade e eu não pudesse fazer mais nada a respeito.

Eu ouço muitas pessoas dizendo “eu sou ansioso, fico pensando na minha viagem, não paro de pensar naquela entrevista etc”. Mas isso não é ser ansioso, isso é estar ansioso na expectativa de algo que está para acontecer.

Ter ansiedade é quando essas situações deixam de ser corriqueiras e eventuais e passam a fazer parte e atrapalhar sua vida, inclusive provocando sintomas que vão além do mental, como dor de cabeça, sangramento (sim, já aconteceu comigo!) e piora num quadro de TOC (já falei sobre isso aqui), por exemplo.

O que é que eu vou fazer com essa tal ansiedade?

*pontinho para quem leu no ritmo da música!*

Alguma pessoas têm crises tão fortes, que não conseguem sair da cama ou de casa. Na semana passada terminei de ler o livro “Alucinadamente Feliz”, da Jenny Lawson. É um livro de não-ficção maravilhoso e eu devo resenhá-lo, mas enfim, a obra é sobre a autora e todos os problemas que ela tem, que incluem: artrite reumatoide, depressão, ansiedade, TOC. Ela tem crises fortíssimas, mas descreve tudo com muito bom humor.

Uma das situações que chamou minha atenção é quando ela precisa andar de avião. Isso não é um problema para ela, o que tira o sono dela é o antes. Ela revê mil vezes onde precisa fazer o check-in e depois para onde precisa ir, imagina as mil formas possíveis de como ela pode se atrasar, ou se perder no caminho para o aeroporto e depois dentro do aeroporto… É um sofrimento. Ela só consegue relaxar quando está dentro do avião, mas uma ou meia hora antes de pousar, o sofrimento recomeça e vai até ela chegar ao hotel.

Agora imagine uma autora fazendo o tour de um livro, tendo que fazer várias viagens? Esse sofrimento faz parte da vida dela. Você acha que se ela pudesse escolher, ela optaria por continuar sentindo isso toda vez que fosse viajar? Claro que não! Não é legal, não é divertido, nós não queremos chamar a atenção assim. Está além do nosso controle.

anxiety-1156225_1920

Não, não é simples

“Não sei porque você faz uma tempestade… É simples: apenas não pense nisso/faça isso. Pronto. Problema resolvido.”

Parabéns, ó deus da psiquiatria. Muitas palmas para a grande descoberta da cura da depressão, ansiedade e TOC. Onde você esteve esse tempo todo? Já recebeu o seu Prêmio Nobel? C O M O N Ó S N U N C A P E N S A M O S E M S I M P L E S M E N T E P A R A R D E P E N S A R N O Q U E N O S A F L I G E?

Porque, dumbass, não é assim que funciona, não é mesmo? É isso que as pessoas precisam começar a entender sobre esse tipo de doença: está além do controle da pessoa que a possui! Ela não quer atenção, ser a diferentona, a digna de pena. Muito pelo contrário. Nessas horas ela só quer desaparecer, sumir, ser invisível. Mas como isso não é possível, ela apenas deseja que você entenda e respeite o que ela está sentindo naquele momento.

Chamar de louca/o também não vai resolver o problema, muito pelo contrário. Provavelmente vai até piorar o caso da pessoa que está passando por uma crise. Paciência é primordial. Se você não tem nada de bom/positivo para dizer, apenas cale-se. As chances de um dano pior ser causado pelo silêncio são bem menores do que se forem usadas as palavra erradas.

Fica a dica

Se você, pequeno padawan, sofre com isso, não esqueça que a melhor coisa é procurar uma ajuda profissional. Não precisa ter medo ou vergonha de procurar um médico para tratar a sua doença.  Você não faz ideia de quantas pessoas passam pelo mesmo que você. Inclusive, você deve se sentir orgulhoso por isso… Ter essa atitude não é fácil e é um grande passo para você.

Ninguém tem vergonha de ir ao hospital por causa de uma conjuntivite, não é mesmo? Então, por que você deveria? Os dois são doenças, apenas exigem diferentes especialidades médicas.

Agora se você convive com alguém que passa por isso, lembre-se que ela sempre precisa de todo apoio possível. Não de brincadeiras sem graças sobre a doença dela. É esse tipo de coisa que faz com que alucinadamente-felizas pessoas se fechem e não procurem ajuda… Até que um dia o pior acontece. Tudo porque ao invés de dizer “vem aqui, me dá um abraço, quer conversar?”, você achou que era mais fácil falar “vai ficar aí trancada no quarto chorando parecendo uma louca?”. Pense nisso.

Super recomendo a leitura do livro Alucinadamente Feliz da Jenny Lawson, publicado pela Intrínseca. Tanto para quem vive com essas aflições como para quem quer entender melhor os efeitos desses transtornos psicológicos em quem os tem.

(No mesmo dia em que comecei a escrever o post já estava tudo bem de novo entre a gente. Na verdade depois de escrever 2 parágrafos. O post foi terminado uma semana depois do ocorrido. Viu? Eu sabia que não fazia sentido ficar mal daquele jeito, mas não é algo que eu consiga evitar.)




ME ACOMPANHE NAS REDES SOCIAIS E ASSINE A NEWSLETTER!

FACEBOOK  TWITTER  INSTAGRAM  SNAPCHAT

Post anterior
Próximo post

You Might Also Like

%d blogueiros gostam disto: